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💸O maior "Distressed Asset" do mundo está sob nova direção
Uma análise econômica sobre a Venezuela, para entendermos qual é a "dimensão" do país e por que ela é uma região que atrai o interesse de Trump.

Good morning, Brasil.
Antes de mais nada, bem-vindos de volta à realidade. Agora podem matar a saudade do trânsito com tranquilidade.
Bom, o ano mal começou e já entrou para a história: a captura de Maduro pelas forças especiais americanas foi digna de filme de ação. Diversas teorias sobre o caso já surgiram, mas ainda é muito cedo para tirarmos qualquer conclusão.
Para isso, o Paper of the Day é justamente uma análise muito mais geopolítica sobre a Venezuela, para entendermos qual é a "dimensão" do país e por que ela é uma região que atrai o interesse de Trump.
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📎 Read: Quando o Brasil se tornará uma potência global? (Robin J Brooks)
▶️ Watch: Como forças de elite dos EUA capturaram Nicolás Maduro (g1)
#️⃣ Stat: Lula chega em 2026 com popularidade maior do que há 20 anos, mas desafios vão da segurança à economia (O Globo)
🧊 Ice Breaker: O ano dos ETFs: após o boom em 2025, o que esperar para 2026 (InvestNews)
ANTES DO SINO

Fechamento 02/01/2026 — (19:00)
PAPER OF THE DAY
O maior "Distressed Asset" do mundo está sob nova direção
Vamos deixar de lado por um minuto as narrativas políticas e as imagens cinematográficas da captura de Maduro — isso a mídia e o X já estão fazendo. Para o mercado financeiro, o que aconteceu neste fim de semana foi além de uma eventual troca de regime, foi o destravamento de uma das maiores reservas de commodities do mundo.
Estamos diante do turnaround mais complexo e potencialmente lucrativo do século para os Estados Unidos.
Mas vamos relembrar a história:
Em um breve resumo, a Venezuela já foi a maior exportadora de petróleo do mundo e viveu um boom nas exportações durante os anos 40 e 70, era uma época em que empresas americanas e europeias dominavam a região.
Em 1976, o presidente Carlos Andrés Pérez decidiu que o estado deveria controlar a indústria, e assim criou um plano organizado com as empresas da região para estatizar a produção. Assim, o governo pagou indenizações (cerca de US$ 1 bilhão na época) às empresas estrangeiras (Shell, Exxon, etc.) e criou a estatal Petróleos de Venezuela S.A (PDVSA). Foi até um "acordo de cavalheiros": a PDVSA manteve a estrutura gerencial, os técnicos e a cultura de meritocracia das multinacionais.
Por anos, a PDVSA foi considerada a "empresa estatal mais bem gerida do mundo", funcionando como uma corporação privada, longe da política partidária. Isso blindou a empresa da corrupção por duas décadas.
Até que chegou Hugo Chávez…
Até início dos anos 2000, a Venezuela era uma produtora de petróleo muito maior que os EUA. De fato, a Venezuela produzia três vezes mais petróleo, quase 3,3 milhões de barris por dia. Em 2020, a produção venezuelana havia caído para apenas 900 mil barris por dia, enquanto somente o estado do Texas já estava produzindo 5 milhões por dia.

Gráfico: AEI
Em 2007, o barril de petróleo estava em uma escalada histórica (chegaria a quase US$ 150 em 2008). Hugo Chávez, consolidando seu projeto de "Socialismo do Século XXI", via as empresas estrangeiras operando na Faixa do Orinoco (a maior reserva do mundo) não como parceiras, mas como entidades que drenavam a riqueza nacional. Assim:
Chávez queria que a estatal PDVSA tivesse o controle majoritário (mínimo de 60%) de todos os projetos. Até então, as empresas americanas operavam sob o modelo de "Apertura Petrolera" dos anos 90, que lhes dava controle e benefícios fiscais para atrair investimento e tecnologia para extrair o petróleo pesado.
O governo também acreditava que os royalties pagos (que chegaram a ser de apenas 1% em alguns casos para incentivar o investimento inicial) eram um "roubo" da nação. Eles queriam reescrever os contratos para capturar o upside total da alta do petróleo.
Com isso, o governo Chavista começou um processo de estrangulamento jurídico e regulatório progressivo:
Aumento de Custos (2004-2006): Primeiro, o governo aumentou unilateralmente os royalties de 1% para 16,6% e depois para 33,3%, além de aumentar o imposto de renda sobre o setor de 34% para 50%.
Em fevereiro de 2007, Chávez assinou o Decreto-Lei nº 5.200. Ele ordenava a "migração" de todas as Associações Estratégicas da Faixa do Orinoco para "Empresas Mistas". As estrangeiras tinham que ceder o controle operacional e aceitar uma participação minoritária (<40%).
Empresas como Chevron, Total (França) e Statoil (Noruega) aceitaram os novos termos, preferindo manter um pedaço menor do bolo do que perder tudo.
ExxonMobil e ConocoPhillips recusaram. Elas argumentaram que os novos termos violavam os contratos originais e desvalorizavam seus investimentos bilionários em tecnologia de ponta (necessária para processar o petróleo extrapesado do Orinoco).
Diante da recusa, a PDVSA tomou fisicamente as instalações. As empresas americanas saíram e entraram imediatamente com arbitragens internacionais no CIADI (Banco Mundial).
Resultado: Ao expulsar a Exxon e a Conoco, a Venezuela perdeu capital e principalmente a tecnologia. O petróleo do Orinoco é quase sólido, extraí-lo exige tecnologia proprietária de ponta que a PDVSA não dominava bem. Sem a manutenção e o investimento das Majors, a produção entrou em queda livre, agravada pela corrupção e falta de investimento da PDVSA.
E agora?
A Venezuela possui mais reservas de petróleo do que qualquer outro país do mundo. Eles chegam a ter quase 20% de todas as reservas mundiais.

Gráfico: Statisa
E hoje, 70% das importações de petróleo que vão para os EUA são de petróleo bruto pesado, o mesmo em que se encontra na Venezuela.
Assim, o próprio Trump já disse:
Ou seja, essa movimentação no país se torna ainda mais estratégica para os EUA.
Além da Venezuela, a Rússia possui algumas das maiores reservas de petróleo bruto pesado do mundo. Explorar as reservas de petróleo bruto pesado da Venezuela pode enfraquecer ainda mais a influência da Rússia.
Lembrando também que a China é a maior compradora de petróleo venezuelano, cerca de 5% do petróleo que vai para China é da Venezuela. À medida que os EUA assumem o controle da região, Trump ganha ainda mais poder sobre a os acordos geopolíticos.
Além do petróleo, o minério de ferro:
A situação da Venezuela vai muito além do petróleo: o país detém atualmente reservas estimadas em 4 bilhões de toneladas de minério de ferro.
Estimativas apontam que a Venezuela possui a 12ª maior reserva mundial de minério de ferro. Se uma tonelada de minério de ferro está sendo vendida por US$ 107, o que torna essas reservas avaliadas em cerca de US$ 428 BILHÕES.
Para os EUA, isso é um movimento perfeito: a reconstrução da logística para o petróleo viabiliza, de tabela, o escoamento desse minério, gerando uma segunda fonte de lucros multibilionária e consolidando a influência americana na região.

Gráfico: CSIS
E terras raras:
Por fim, a Venezuela possui depósitos significativos, porém em grande parte inexplorados, de elementos de terras raras.
A maioria desses depósitos de terras raras inexplorados está localizada no Arco Mineiro do Orinoco. Fontes do governo venezuelano afirmaram historicamente que o Arco Mineiro do Orinoco contém pelo menos 300.000 toneladas métricas de elementos de terras raras. Isso também poderia valer bem mais de US$ 200 bilhões se uma eventual exploração começar.

Gráfico: Venezuelanalysis
HEADLINES
World Big News:
O plano dos EUA começou em agosto de 2025 e mapeou detalhes minuciosos da rotina do ditador venezuelano antes de capturá-lo (Estadão)
Quem é Delcy Rodríguez, a sucessora de Maduro com trânsito nos EUA, na China e entre empresários (BBC)
A Bulgária celebra a sua entrada na zona do euro, agora são mais de 350 milhões de europeus que utilizam a moeda (Valor)
Coreia do Norte realiza testes com mísseis hipersônicos (Reuters)
Governo, Tesouro, BC e Brasília:
Governo Lula vê cenário incerto no comando da Venezuela em meio a novo ultimato dos EUA à vice de Maduro (BBC)
Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi preso em casa na manhã de sexta-feira (2) pela Polícia Federal em Ponta Grossa - PR (g1)
Mais de 250 presos que deixaram presídios na “saidinha” de Natal não voltaram e a maioria é do Comando Vermelho (O Globo)
O governo Lula fechou o ano de 2025 com a maior quantia paga em emendas parlamentares em um único ano. Ao todo, foram pagos R$ 31,5 bilhões em emendas impositivas ou discricionárias (g1)
Economia Real e Commodities:
Localiza reduz filas e acelera ganho de escala com digitalização. Companhia superou em 2025 a marca de 1 milhão de locações de carro pelo serviço Fast (Bloomberg Línea)
Em um post no X, o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes disse que deu um prazo de 60 dias para que os proprietários dos hotéis Praia Ipanema e o antigo Intercontinental, em São Conrado, apresentem propostas de reativação dos empreendimentos (Metro Quadrado)
O superávit da balança comercial brasileira deve alcançar em 2026 total de US$ 67 bilhões, saldo um pouco maior que os US$ 63,6 bilhões esperados para 2025 (Valor)
Liberação de agrotóxicos e defensivos biológicos bate novo recorde em 2025, apontam dados do governo (g1)
Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia:
A chinesa BYD ultrapassa a Tesla como a maior vendedora de veículos elétricos do mundo pela primeira vez (CNBC)
O índice FTSE 100 do Reino Unido foi negociado acima de 10.000 pontos pela primeira vez na história, depois de encerrar seu melhor ano desde 2009 (Bloomberg Línea)
O que está por trás da disparada de 240% das ações da Cogna em 2025? (Forbes)
Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC:
A OpenAI está pagando a seus funcionários mais do que qualquer outra grande startup de tecnologia na história. Em 2025, a remuneração baseada em ações da empresa atingiu uma média de US$ 1,5 milhão por funcionário (WSJ)
A corrida pelos modelos de AI continuará em 2026, juntamente com mais agentes e uma pressão crescente sobre as empresas para provar que a AI pode ser útil no mundo real (Axios)
Como os Reels da Meta se tornaram um negócio de 50 bilhões de dólares (WSJ)
IPO, M&A, Deals e Private Equity:
A Kunlunxin, unidade de produção de chips de inteligência artificial da Baidu, entrou com um pedido de oferta pública inicial em Hong Kong (Bloomberg Línea)
Operadoras de franquias de restaurantes da KFC e da Pizza Hut na Índia concordaram em se fundir em um acordo de troca de ações para aumentar a receita e reduzir os custos (Bloomberg Línea)
As três empresas de tecnologia privadas mais valiosas dos EUA estão se preparando para abrir o capital ainda neste ano (Valor)
Natura conclui venda da Avon e mantém uso da marca na América Latina (Times Brasil)
Bain Capital está comprando a empresa sul-coreana de roupas esportivas Echo Marketing por US$ 344 milhões (Reuters)
GRÁFICO DO DIA
A “esticada final” do ouro em 2025 ultrapassou o retorno histórico de Buffett desde o início dos anos 2000

MEMES SESSION

Eu monitorando a situação no final de semana:

AGENDA
Segunda 05/01: Balança Comercial (BRA); PMI Industrial (EUA)
Terça 06/01: PMI Serviços (EUA)
Quarta 07/01: PMI Não-manufatura (EUA); Oferta de Empregos (EUA)
Quinta 08/01: Produção Industrial (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)
Sexta 09/01: IPCA (BRA); Taxa de Desemprego (EUA)
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