- THE PAPER
- Posts
- 💸 E se o Lula processasse o Galípolo?
💸 E se o Lula processasse o Galípolo?
Se a maior economia do mundo fragilizar a independência de seu banco central, qual país está seguro?

Good morning, Brasil.
As tensões no Oriente Médio continuam, e agora Donald Trump confirma que o Irã quer negociar com os Estados Unidos.
No Brasil, revelaram uma história curiosa sobre o ministro do TCU que queria investigar o Banco Central. Além disso, o mercado de M&A e VC segue aquecido, com novas negociações no radar e boas possibilidades para ativos brasileiros.
E falando em BC, o Paper of the Day traz um questionamento: e se o que está acontecendo nos EUA fosse no Brasil, qual seria a reação do mercado?
Aqui está o seu THE PAPER de hoje.
![]() | Gosta do THE PAPER? Nos ajude a crescer e compartilhe com quem você sabe que gosta de acompanhar o mercado. |
ANTES DO SINO

Fechamento 12/01/2026 — (19:00)
PAPER OF THE DAY
Trump vs Powell: Chantagem política ameaça a independência do Fed
No último final de semana, Donald Trump cruzou mais “uma linha vermelha”: o Departamento de Justiça abriu investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, relacionada ao seu depoimento sobre a reforma da sede do Fed orçada em US$ 2,5 bilhões.
"A ameaça de acusações criminais é consequência do Federal Reserve definir taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente". Ele questionou se a política monetária continuará sendo definida por evidências econômicas "ou será dirigida por pressão política ou intimidação".
A reação dos mercados foi imediata: o dólar registrou maior queda em três semanas, ouro bateu recorde histórico acima de US$ 4.600/onça, e futuros do S&P 500 caíram 0,5-0,7%.
Três ex-presidentes do Fed: Greenspan, Bernanke e Yellen emitiram manifesto comparando o episódio a práticas de economias emergentes com instituições frágeis. O senador republicano Thom Tillis anunciou que bloqueará qualquer indicação de Trump ao Fed até a investigação ser resolvida.

Imagem gerada por AI
Uma relação “tóxica”
Ironicamente, Trump nomeou Powell em 2017. Mas o relacionamento azedou rapidamente. Desde 2018, quando o Fed elevou juros, Trump disse que a autoridade monetária era "problema muito maior que a China".
Os números impressionam: só em 2025, Trump atacou Powell em mais de 70 ocasiões. Chamou-o de "Atrasado Demais" (Mr. Too Late), "incompetente", "burro" e "péssimo dirigente". Em abril/2025, sugeriu demiti-lo.
Mas não é a primeira vez na história: Nos anos 70, o presidente Richard Nixon pressionou Arthur Burns, presidente do Fed e seu amigo próximo, a manter juros baixos antes da eleição de 1972. Nixon usou conversas registradas nas "Nixon tapes" para fazer ameaças críveis ao poder de Burns. Funcionou politicamente, Nixon venceu em 1972. Mas o custo foi devastador: gerou a "Grande Inflação" dos anos 70, com inflação de dois dígitos só foi controlada por Paul Volcker no início dos anos 80, via recessão severa.
E se fosse no Brasil?
Diferentemente de Trump-Powell, a relação Lula-Galípolo tem sido de tensão contida. Lula criticou o BC como "irresponsável" ao elevar juros, mas dias depois gravou vídeo garantindo que Galípolo terá "mais autonomia que o BC já teve".
Inclusive Galípolo “frustrou o PT” e manteve uma linha técnica, levando Selic a 15% ao ano.
O caso Banco Master também foi um aviso do que pode acontecer se essa tensão explodir: quando o TCU ameaçou suspender decisão técnica do BC, o mercado reagiu negativamente.
Agora, se isso acontecesse, provavelmente veríamos os seguintes cenários:
Fuga massiva de capitais: Movimento "sell Brazil" instantâneo — investidores estrangeiros sairiam de títulos públicos e ações.
Dólar em explosão: Com percepção de que BC perdeu autonomia, o câmbio dispararia.
Credibilidade fiscal destruída: Mercado interpretaria como sinal de que governo pretende monetizar déficit (imprimir dinheiro para pagar contas).
Inflação desancorada: Expectativas se descontrolariam completamente. Profecia autorrealizável inflacionária.
Paradoxo cruel: Tentativa de forçar juros baixos no curto prazo resultaria em uma disparada dos juros futuros.
A história é implacável
E como se não bastasse, esse “experimento” já foi feito em alguns países… e os resultados falam por si só:
Turquia: O presidente Erdogan afirmou estar em "guerra" contra juros, defendendo a teoria heterodoxa de que inflação cai se juros caírem. Entre 2019-2021, demitiu três presidentes do Banco Central por elevarem juros. Em novembro de 2021, com inflação em 20%, cortou juros de 19% para 14%, a lira turca despencou, inflação explodiu e o país mergulhou em crise cambial profunda.
Venezuela: Entre 2013-2018, a economia venezuelana contraiu mais da metade, com a maior contração em tempos de paz já registrada pelo FMI. Em 2018, a inflação superou 1.000.000%, pulverizando o poder de compra e causando o êxodo de 8 milhões de venezuelanos. O governo passou a imprimir dinheiro para cobrir rombos nas contas públicas, gerando espiral inflacionária descontrolada.
Zimbábue: Gideon Gono, presidente do Reserve Bank of Zimbabwe e aliado próximo do ditador Robert Mugabe, ampliou a impressão de moeda exponencialmente para pagar funcionários do governo. O resultado foi a segunda maior hiperinflação da história: em novembro de 2008, a inflação anual atingiu 89,7 sextilhões por cento, com inflação diária de 98%.
Os Estados Unidos não são a Venezuela ou o Zimbábue — suas instituições são muito mais sólidas. Mas é exatamente por isso que o ataque de Trump assusta tanto: se a maior economia do mundo fragilizar a independência de seu banco central, qual país está seguro?
A lição é clara: credibilidade leva décadas para construir e dias para destruir. E quando governos interferem em bancos centrais, quem paga a conta é sempre a população.
HEADLINES
World Big News
“Eles simplesmente não paravam de matar”: Testemunhas oculares descrevem repressão mortal no Irã (BBC)
Trump afirma que o Irã quer negociar enquanto o número de mortos nos protestos sobe para pelo menos 599 (AP News)
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, conversou por telefone com Trump nesta segunda-feira e afirmou que ele não planeja uma ação militar no país (g1)
Trump anuncia tarifas de 25% para países que negociarem com Irã (CNN Brasil)
Governo, Tesouro, BC e Brasília
As emendas indicadas por deputados e senadores consumiram até 78,9% da verba discricionária de ministérios do governo Lula em 2025 (Jornal do Comércio)
O governo Lula vai começar a ouvir motoristas de Uber e 99 para incluir sugestões no projeto de regulamentação para trabalhadores de aplicativo de entregas que está tramitando na Câmara dos Deputados (UOL)
Mudança no ITCMD pode elevar o custo do planejamento sucessório da alta renda (E-Investidor)
Ministro do TCU Jhonatan de Jesus e pai enviaram R$13 milhões em emendas para construir 300 casas em Roraima, mas só uma foi erguida e está abandonada (Estadão)
Economia Real, Agro e Commodities
Globo consegue arrecadação publicitária recorde de R$ 1 bilhão com reality (f5 Folha)
Grupo Formoso, dono da Uniggel Sementes, pede recuperação judicial (Globo Rural)
O ouro ultrapassa os US$ 4.600/onça com a incerteza em relação ao Fed, o que alimenta a corrida por ativos de refúgio (Reuters)
Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia
Fundo da Reag ligado Master multiplicou patrimônio em 30 mil vezes em 20 dias (InfoMoney)
Moderna prevê vendas de US$ 1,9 bilhão e reduz custos em sua projeção para 2025 (Reuters)
O Bradesco foi ao mercado internacional para levantar recursos por meio de uma emissão de bônus. A operação está prevista movimentar US$ 500 milhões (Valor)
Ações da Gol (GOLL54) saltam 56% após laudo de preço para OPA (InfoMoney)
Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC
Brasileiros movimentam R$ 338 bilhões em criptomoedas, especialmente stablecoins (InvestNews)
Nvidia investirá US$ 1 bilhão em laboratório de medicamentos de AI com Eli Lilly (Bloomberg Línea)
A Meta assinou acordos de energia nuclear para alimentar o supercluster de AI Prometheus (CNBC)
Malásia bloqueia a inteligência artificial Grok de Elon Musk devido a imagens falsas e sexualizadas (The Guardian)
O ex-campeão mundial de Fórmula 1, Nico Rosberg, captou US$ 100 milhões para seu VC, a Rosberg Ventures (Private Equity Insights)
IPO, M&A, Deals e Private Equity
Energia pode atrair aportes de R$ 137 bi (Valor)
O governo definiu em R$ 500 milhões o valor de outorga mínima para a disputa do Tecon Santos 10 (Agência iNFRA)
Gestora americana entra em disputa com grupo indígena por cassino bilionário na Coreia do Sul (InvestNews)
David Ellison processa a Warner Bros. enquanto a Paramount inicia batalha judicial por procuração devido à oferta da Netflix (The Hollywood Reporter)
Participação no Golden State Warriors, time mais valioso da NBA, é colocada à venda por US$ 11 bilhões (InvestNews)
QUICK TAKES
📎 Read: É um dos melhores momentos para investir em anos, diz head da General Atlantic no país (Bloomberg Línea)
▶️ Watch: “Tudo vira teatro para o TikTok”: as denúncias contra o prefeito influencer (UOL Prime)
#️⃣ Stat: Ex-funcionários da SpaceX fundaram 141 startups avaliadas em US$ 10,6 bilhões (Forbes)
🧊 Ice Breaker: Demanda explode e Brasil já importa mais caneta emagrecedora que celular (CNN Brasil)
GRÁFICO DO DIA
Agora Alphabet (Google) e Nvidia possuem mais de US$ 4 tri de market cap

AGENDA
Segunda 12/01: —
Terça 13/01: Crescimento do Setor de Serviços (BRA); IPC (EUA); Venda de Casas Novas (EUA)
Quarta 14/01: IPP (EUA); Vendas no Varejo (EUA); Venda de Casas Usadas (EUA)
Quinta 15/01: Vendas no Varejo (BRA); PMI Industrial (EUA); PIB (GBP)
Sexta 16/01: IBC-Br (BRA)
Gostou da leitura? Envie pelo WhatsApp para seus amigos do mercado financeiro clicando aqui. Eles também vão gostar.
Dê a sua nota para a edição de 1 a 5 |
Faça Login ou Inscrever-se para participar de pesquisas. |
THE PAPER // THAT'S ALL, FOLKS
BECAUSE MONEY MATTERS. Leitura diária obrigatória para gestores, traders, bankers e CEOs. Todas as manhãs de pregão, na sua caixa de entrada.
