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  • 💸Enquanto a janela de IPOs segue fechada no Brasil, o mercado trabalha nos M&As

💸Enquanto a janela de IPOs segue fechada no Brasil, o mercado trabalha nos M&As

Em um cenário de juros altos que encareceu o financiamento, 2025 foi definido pela concentração em transações de grande porte e estruturas complexas, em vez de um boom em quantidade.

Good morning, Brasil.

Ontem, Maduro foi ao tribunal para enfrentar sua primeira acusação formal nos EUA. Ele e sua esposa, Cilia Flores, se declararam inocentes das acusações de narcoterrorismo. Maduro se autodenominou um "prisioneiro de guerra" e "presidente sequestrado". A próxima audiência foi marcada apenas para o dia 17 de março.

Enquanto isso, em Brasília, a lupa cresce sobre o BC. O presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Vital do Rêgo, formalizou nesta segunda-feira a autorização para uma inspeção no Banco Central. O foco é investigar os procedimentos da liquidação extrajudicial do Banco Master, verificando se o regulador agiu dentro da legalidade e eficiência esperadas.

O paper of the day é um resumo sobre o mercado de M&A. Enquanto a bolsa no Brasil “não abre”, o mercado corre para as fusões.

Um recado rápido: gostaríamos de ouvir você! Ao final desta edição, não deixe de compartilhar seu feedback e sugestões para o THE PAPER.

Aqui está o seu THE PAPER de hoje.

📎 Read: O novo capitalismo americano (Business Insider)

▶️ Watch: Os 10 maiores desastres de megaconstrução de 2025 (The B1M) 

#️⃣ Stat: Brasil já tem 14 marcas de carros chineses (Valor)

🧊 Ice Breaker: ‘Rei do atum’, japonês paga US$ 3,2 milhões por peixe de 243 quilos e bate recorde de leilão (O Globo)

ANTES DO SINO

Fechamento 05/01/2025 — (19:00)

PAPER OF THE DAY

Enquanto a janela de IPOs segue fechada no Brasil, o mercado trabalha nos M&As

Em um cenário de juros altos que encareceu o financiamento, 2025 foi definido pela concentração em transações de grande porte e estruturas complexas, em vez de um boom em quantidade. O volume financeiro sustentou-se pela magnitude dos cheques assinados, mantendo a indústria ativa mesmo longe dos picos históricos.

As características do ano:

  • Volume estabilizado: Até meados de dezembro, o volume anunciado somou R$ 234 bilhões — praticamente em linha com 2024 (R$ 231 bilhões), mas distante da euforia de 2021 (R$ 482 bilhões).

  • Hegemonia de energia: O setor de Energia e Recursos Naturais foi o motor absoluto, representando 52% do volume total transacionado. Para efeito de comparação, em 2020 essa fatia era de apenas 10%; foi o maior volume do segmento em 15 anos.

  • Estruturação: A volatilidade e o custo de capital exigiram criatividade. Bancos de investimento notaram um aumento em transações "mais estruturadas", focadas na rediscussão inteligente de alocação de capital.

Os deals que mandaram:

O ano foi marcado pela resolução de disputas societárias antigas, consolidação de setores tradicionais e movimentos de fechar capital (OPAs). As operações de destaque incluíram:

  • J&F e Paper Excellence: O fim do longo imbróglio societário, com a compra da fatia da Eldorado pela J&F.

  • Consolidação em Alimentos: A união definitiva entre Marfrig e BRF, criando a gigante MBRF.

  • Energia e Oil & Gás: A saída da Previ da Neoenergia (comprada pela Iberdrola) e a aquisição de 40% do Campo de Peregrino pela Prio junto à Equinor.

  • Tecnologia: A venda da Conta Azul para a Visma, mostrando que ativos de qualidade em tech continuam líquidos.

  • OPAs: O fechamento de capital de empresas listadas, como a Serena, também contribuiu para o volume transacionado.

LOOKING FORWARD

A projeção dos bancos de investimento é de crescimento para 2026. O UBS BB estima uma expansão de cerca de 10% no volume, alcançando US$ 55 bilhões. O Goldman Sachs reporta que a fila de operações já cresce desde setembro.

Três tendências vão moldar o ano:

1. A pressão do private equity: Fundos de PE devem ser os grandes protagonistas da ponta vendedora. Sem janelas claras para IPOs recentes, eles precisam desinvestir para devolver capital aos cotistas e captar novos fundos. Com a expectativa de Selic mais baixa impulsionando preços, acionistas tendem a colocar ativos na rua.

2. O apetite estrangeiro: A participação de investidores internacionais nas operações deve subir de 30% (2025) para 35% em 2026, com forte interesse vindo da Europa e Ásia

3. O cronômetro eleitoral: O ano tem um "prazo de validade" para a tranquilidade.

  • O Risco: A partir de abril, o fluxo de negócios fica condicionado às eleições. O mercado teme a volatilidade cambial histórica do período, que costuma afastar o investidor estrangeiro.

  • A Resiliência: Apesar disso, setores como Infraestrutura e Energia são vistos como "impermeáveis" ao ciclo político e devem seguir ativos independentemente do ruído em Brasília.

HEADLINES

World Big News:

  • O presidente Nicolás Maduro se declara inocente das acusações de narcoterrorismo (Reuters)

  • Líderes iranianos lutam para conter protestos, enquanto ações dos EUA na Venezuela alimentam temores (Reuters)

  • Delcy Rodríguez, a nova presidente interina da Venezuela, foi ao Catar em outubro participar de reuniões com enviados da Casa Branca (O Globo)

  • A intervenção na Venezuela provavelmente sufocará os fluxos de petróleo para a China, embora o impacto de curto prazo seja atenuado pelos grandes volumes de petróleo sancionados que estão sendo armazenados no mar (Bloomberg Línea)

  • O governo da Suíça informou que congelou todos os ativos detidos pelo ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, e pessoas associadas a ele (Valor)

  • O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu que a população colombiana tome o poder "em cada município do país", para defendê-lo caso ele sofra violência (CNN Brasil)

  • Argentina ainda tem um déficit de US$ 2,4 bilhões nos pagamentos de títulos de janeiro (MSN)

Governo, Tesouro, BC e Brasília:

  • A dívida da Venezuela com o Brasil já ultrapassa R$ 10,3 bilhões e não há perspectiva de quitação. Só de juros desde quando o país passou a ser inadimplente, em 2018, são mais de R$ 2,7 bilhões (CNN Brasil)

  • O governo Lula chega a 2026 com medidas do seu pacote eleitoral pendentes no Congresso após um ano com dificuldade de formar maioria em meio à pressão da disputa que se aproxima (Folha)

  • Cotado para suceder Haddad, Dario Durigan é conhecido como “CEO” do Ministério da Fazenda (Folha)

  • TCU confirma autorização de inspeção no Banco Central sobre liquidação do banco Master (g1)

Economia Real e Commodities:

  • Réveillon indica boa temporada de verão no Rio. HotéisRIO estima ocupação média hoteleira anual, em 2025, acima de 2024 e perspectivas são otimistas para 2026 (Valor)

  • Após atingir um crescimento de 10% em 2025 e alcançar uma receita de R$ 68 bilhões, o setor de máquinas e implementos agrícolas deve ter um crescimento mais fraco em 2026 (Globo Rural)

  • Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, afirmou que o Brasil deverá assumir um papel estratégico como "backup" da China para o fornecimento de petróleo venezuelano (CNN Brasil)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia:

  • BTG Pactual recebe licença para operar como banco nos EUA após conclusão da aquisição do M.Y. Safra Bank (Exame)

  • A corretora Avenue recebeu do Banco Central do Brasil a licença de banco de investimento (Neofeed)

  • A ação da C&A despencou 15,7% depois que a varejista sinalizou ao sellside que teve um quarto tri mais fraco que o esperado (Brazil Journal)

  • O Grupo Pão de Açúcar definiu seu novo presidente após a saída de Marcelo Pimentel, trouxe Alexandre Santoro, da IMC, operadora das redes Frango Assado, Viena e Pizza Hut (Pipeline Valor)

  • As ações mais indicadas para janeiro (Valor Investe)

  • Nomes de Wall Street afirmam estar planejando uma viagem à Venezuela com representantes de importantes fundos de hedge e gestores de ativos para avaliar as perspectivas de investimento no país sob a nova liderança (WSJ)

  • Bonds venezuelanos disparam após a captura de Maduro. Papéis estão em default desde 2017 (Valor)

Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC:

  • Moonshot AI, empresa de inteligência artificial sediada em Pequim, na China, captou US$ 500 milhões em uma rodada de financiamento Série C, elevando seu valor de mercado para US$ 4,3 bilhões (The Saas News)

  • Nos últimos dias, a França e a Malásia juntaram-se à Índia na condenação da Grok pela criação de deepfakes sexualizados de mulheres e menores (TechCrunch)

IPO, M&A, Deals e Private Equity:

  • PicPay busca até US$ 500 milhões em IPO na Nasdaq (Brazil Journal)

  • Serena Energia levanta US$ 350 milhões em empréstimos estruturados pelo Itaú para construir seu segundo parque eólico nos Estados Unidos (Brazil Journal)

  • OpenAI pode adquirir o Pinterest em sua "maior aquisição até o momento" (Financial Express)

GRÁFICO DO DIA

Empresas de petróleo americanas na bolsa ontem:

MEMES SESSION

AGENDA

Segunda 05/01: Balança Comercial (BRA); PMI Industrial (EUA)

Terça 06/01: PMI Serviços (EUA)

Quarta 07/01: PMI Não-manufatura (EUA); Oferta de Empregos (EUA)

Quinta 08/01: Produção Industrial (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)

Sexta 09/01: IPCA (BRA); Taxa de Desemprego (EUA)

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