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💸 Muito além do João Fonseca
O Australian Open 2026 mal começou e já mostra por que os Grand Slams estão cada vez mais relevantes do ponto de vista esportivo e, sobretudo, de negócios.

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O Paper of the Day traz um breakdown dos números de um dos maiores eventos esportivos do mundo. Agora, mais do que apenas dizer que acompanha o João Fonseca, você poderá trazer à mesa aqueles detalhes de bastidores que não se encontram em qualquer lugar.
Aqui está o seu THE PAPER de hoje.
ANTES DO SINO

Fechamento 15/01/2026 — (19:00)
PAPER OF THE DAY
O business do primeiro Grand Slam do ano
O Australian Open 2026 mal começou e já mostra por que os Grand Slams estão cada vez mais relevantes do ponto de vista esportivo e, sobretudo, de negócios.
A chamada Opening Week – a semana das preliminares do torneio – deixou de ser apenas um “aperitivo” do evento e virou um produto comercial relevante. Só nos dois primeiros dias deste ano, mais de 63 mil pessoas passaram por Melbourne Park, quase 40 mil a mais do que no mesmo intervalo de 2025. O que até 2022 era um qualifying com entrada gratuita, agora cobra 20 dólares australianos para adultos, 15 para jovens e 10 para crianças.
Estimativas do NAB (Banco Nacional da Austrália) projetam que o AO 2026 deve injetar mais de 600 milhões de dólares australianos (US$ 402 milhões) na economia de Melbourne. Para referência, no ano passado o torneio gerou 565,8 milhões de dólares australianos (US$ 380 milhões) em benefícios econômicos para o estado de Victoria.
No centro dessa estratégia está o CEO Craig Tiley, cuja meta explícita é “dominar o calendário esportivo de janeiro”. Com a Opening Week paga, a chave principal ampliada para 15 dias desde 2024 e novos formatos de entretenimento (como o One Point Slam), o AO passa a operar cada vez mais como plataforma altamente monetizável.

Rod Laver Arena - Foto: We Build Value
De campeonato colonial a maior gerador econômico do esporte australiano
O torneio nasceu em 1905, em quadras de grama, como um campeonato regional australiano. Os marcos que o transformam no produto atual são claros:
1969: Entrada na Era Aberta e profissionalização do circuito.
1987: Fixação em janeiro como "primeiro Grand Slam do ano", criando uma janela de mídia premium e sem concorrência.
1988: Mudança para Melbourne Park e piso duro, consolidando-o como produto televisivo global e infraestrutura de classe mundial.
Em duas décadas – especialmente entre 2005 e 2026 – o AO evoluiu de torneio "local" para se tornar o maior gerador econômico do esporte australiano, superando eventos como o GP da Fórmula 1 em Melbourne e a final da AFL (Rugby) em impacto financeiro.
Em números
Em 2025, o Australian Open consolidou a escala do seu negócio com números que servem de base para entender o salto de 2026. Ao longo de três semanas, 1.218.831 pessoas passaram por Melbourne Park, estabelecendo um novo recorde de público geral.
Do lado financeiro, a edição de 2026 terá a maior bolsa de prêmios da história do torneio:
111,5 milhões de dólares australianos (US$ 74,7 milhões), um salto de 16% quando comparado a edição de 2025.
A estrutura reforça tanto o topo quanto a base da pirâmide: os campeões de simples passam a receber 4,15 milhões de AUD (US$ 2,8), um aumento de 19% a mais do que no ano anterior, enquanto os finalistas ficam na faixa de 1,25 a 2,15 milhões de AUD (US$ 834k a US$ 1,4 Mi). Quem cai na primeira rodada recebe 150 mil AUD (US$ 100k), um cheque cada vez mais relevante para a sustentabilidade da “classe média” do circuito.
Em mídia e digital, a cobertura doméstica atingiu 13,07 milhões de pessoas na Austrália, somando 89,8 milhões de horas assistidas em TV e streaming. No ambiente online, o canal oficial do torneio somou 152 milhões de views no YouTube, com mais de 6 milhões de horas de conteúdo consumidas, enquanto o ecossistema de redes sociais gerou 1,7 bilhão de impressões e 1,1 bilhão de visualizações de vídeo.
Modelo de negócio
O modelo de negócios do Australian Open hoje se apoia em quatro pilares principais: direitos de transmissão, patrocínios, bilheteria e hospitalidade/varejo, que, somados, transformam o torneio em um ativo de mais de 500 milhões de dólares em receita anual.
Direitos de transmissão: No mercado doméstico, o torneio firmou com a Nine um acordo de 425 milhões de dólares australianos (US$ 284 mi) por cinco anos, cerca de 85 milhões de AUD (US$ 57 mi) por ano, um salto relevante em relação ao contrato anterior de 60 milhões AUD anuais. Somado a isso, estimativas apontam cerca de US$ 80 milhões anuais em direitos internacionais, com acordos-chave com Warner Bros. Discovery na Europa e ESPN nos Estados Unidos. Em conjunto, o bloco de mídia fica na casa de US$ 150 milhões anuais.
Patrocinadores: Em 2025, o torneio gerou US$ 84,32 milhões em receita de patrocínio, com um portfólio de 35 marcas, incluindo novos entrantes como Red Bull, M&M's e Pirelli. O torneio possui um contrato "âncora" com a Kia de 5 anos e US$ 107 milhões, considerado o maior patrocínio esportivo da história da Austrália. Para "abrir a porta" como parceiro, estimativas indicam que a conta anual tende a começar na casa de US$ 1 milhão, reforçando a precificação de um inventário escasso e de alta demanda.
Bilheteria: O salto veio com o modelo de três semanas. Em 2025, 1.218.831 torcedores passaram por Melbourne Park ao longo dos dias, gerando base para aumento de receita de ingressos. A monetização da antiga semana gratuita de qualifying, com ground passes pagos na faixa de 20 dólares australianos para adultos, ampliou significativamente as receitas de bilheteria.
Hospitalidade e varejo: A oferta de experiências premium (restaurantes, rooftops e espaços corporativos), atende dezenas de milhares de clientes com tíquete médio muito superior ao do ingresso comum. No varejo oficial, mais de 520 mil fãs visitaram as 13 lojas do torneio em 2025, comprando cerca de 94 mil bonés, 45 mil bolas de tênis, 20 mil garrafas e milhares de outros itens licenciados, o que adiciona uma camada relevante de receita complementar.
Somando esses quatro pilares, e acrescentando linhas menores como licenciamento, produtos digitais e programas de inovação (AO StartUps), o Australian Open entrega um grande crescimento nos últimos anos, com Craig Tiley (CEO) falando abertamente em chegar à casa de 1 bilhão de dólares em um futuro próximo.
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Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC
A Skild AI captou US$ 1,4 bilhão em uma nova rodada de investimentos. O SoftBank liderou a rodada, Jeff Bezos também investiu e a Sequoia dobrou sua participação. Com esse aporte, a avaliação da Skild AI ultrapassa os US$ 14 bilhões (Ventureburn)
A Netflix está aumentando seus investimentos em podcasts em vídeo , com seus projetos mais recentes apresentando o comediante Pete Davidson e o ex-jogador de futebol americano Michael Irvin (TechCrunch)
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A SPX Capital está investindo até R$ 400 milhões na Vision, um spinoff da ISH Tecnologia, uma empresa de cibersegurança do Espírito Santo (Brazil Journal)
A State Grid da China investirá 4 trilhões de yuans (US$ 574 bilhões) na modernização da rede elétrica do país entre 2026 e 2030 (Retuers)
A empresa de defesa tcheca Czechoslovak Group planeja abrir seu capital na Euronext em Amsterdã, aproveitando a onda de gastos militares globais no que pode se tornar o maior IPO do setor de defesa em termos de recursos arrecadados (Reuters)
Coca-Cola abandonou os planos de vender sua rede Costa Coffee depois que as propostas de empresas de private equity não atenderam às suas expectativas (The Guardian)
O fundo de private equity CVC Capital Partners, busca levantar o montante de US$ 3,15 bilhões para financiar a expansão de sua divisão Global Sport Group (GSG), lançada em setembro de 2025 (Máquina do Esporte)
CENTRAL DE RESULTADOS (4T25)
BlackRock: Os ativos sob gestão da BlackRock subiram para US$ 14,04 trilhões no trimestre, acima dos US$ 11,55 trilhões do ano anterior (Forbes)
Goldman Sachs e Morgan Stanley: Bancos de investimento de Wall Street estão em plena ascensão (Axios)
TSMC: Supera as previsões com lucro recorde e anuncia a abertura de mais fábricas nos EUA (Reuters)
Hoje: State Street, PNC
QUICK TAKES
📎 Read: O atalho dos family offices: investimentos diretos ganham força no Brasil (NeoFeed)
▶️ Watch: VALE3 - Notícia inesperada e positiva (Tiago Reis)
#️⃣ Stat: Aluguel sobe 9,44% em 2025 e mantém mercado aquecido, mostra Índice FipeZAP (InfoMoney)
🧊 Ice Breaker: Astronautas da Nasa chegam à Terra (g1)
GRÁFICO DO DIA
Ações da Smart Fit despencaram no pregão ontem. O Valor apurou que o CEO da Smart Fit, Edgard Corona, adotou um tom mais cauteloso sobre as perspectivas para a empresa em reunião fechada com analistas. Fontes que estiveram no encontro relataram que Corona apontou para uma maior competição com redes de academia menores e para a possibilidade de que as margens possam ser reduzidas neste ano.

MEMES SESSION
23:42 - “Mestre, consegue ajustar?”

AGENDA
Segunda 12/01: —
Terça 13/01: Crescimento do Setor de Serviços (BRA); IPC (EUA); Venda de Casas Novas (EUA)
Quarta 14/01: IPP (EUA); Vendas no Varejo (EUA); Venda de Casas Usadas (EUA)
Quinta 15/01: Vendas no Varejo (BRA); PMI Industrial (EUA); PIB (GBP)
Sexta 16/01: IBC-Br (BRA)
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