- THE PAPER
- Posts
- 💸 O novo “padrão” do ouro
💸 O novo “padrão” do ouro
A alta de mais de 70% nos últimos 12 meses (a maior desde 1979), não é resultado de uma especulação isolada ou euforia de curto prazo.

Good morning, Brasil.
Se você não está em Aspen, Noronha ou Austrália, é melhor começar o dia com as principais atualizações do mercado.
Banqueiros centrais do mundo inteiro, inclusive Galípolo, assinaram um manifesto global em defesa de Jerome Powell. Na Coreia do Sul, promotores pedem a pena de morte do ex-presidente do país.
A temporada de balanços do 4T25 começou e trazemos os principais resultados. Ontem, os destaques foram JPMorgan e Delta Airlines.
O Paper of the Day é uma análise sobre o Ouro. Por que os Bancos Centrais estão comprando como nunca?
Aqui está o seu THE PAPER de hoje.
ANTES DO SINO

Fechamento 13/01/2026 — (19:00)
PAPER OF THE DAY
O novo “padrão” do ouro
O ouro ultrapassou US$ 4.600 por onça nesta semana, marcando novo recorde histórico. A alta de mais de 70% nos últimos 12 meses (a maior desde 1979), não é resultado de uma especulação isolada ou euforia de curto prazo. Ela reflete transformações profundas na estrutura financeira global que explicam por que o metal precioso se tornou um termômetro da nessa “nova ordem”.
Os motores da demanda
O mercado de ouro funciona sob a pressão de quatro grandes forças distintas, cada uma com sua própria dinâmica:
1. Joias (historicamente o maior %): O setor de joalheria historicamente representava mais de 40% do mercado de ouro, mas sofreu transformação radical em 2024-2025. Com o ouro ultrapassando US$ 4.000 por onça, o consumo em joalheria desabou, especialmente na China e na Índia. Apesar da queda volumétrica, o valor gasto em joias aumentou 13% no trimestre para US$ 41 bilhões, indicando que consumidores compram menos, mas o metal mais caro mantém o valor total robusto.
2. Uso industrial (menos de 10%): Aplicações em eletrônicos, defesa, componentes médicos e conectores. No Q3 2025, a demanda tecnológica ficou em 81,7 toneladas, estável em relação aos trimestres anteriores.
3. Investimentos (crescendo aceleradamente): No terceiro trimestre, a demanda por investimento atingiu 537,2 toneladas, alta de 47% ano contra ano. ETFs globais registraram entradas de 221,7 toneladas no Q3, enquanto barras e moedas somaram 315,5 toneladas. No acumulado do ano (até Q3), ETFs captaram 618,8 toneladas, revertendo completamente o padrão de saídas de 2023-2024.
4. Bancos Centrais (o motor estrutural): É aqui que está o componente que mudou a dinâmica fundamental do mercado. Antes de 2022, bancos centrais compravam em média 400-600 toneladas por ano. Após o congelamento de US$ 300 bilhões em ativos russos pelos EUA e Europa, a demanda saltou para mais de 1.000 toneladas anuais desde 2022.

Gold Demand Trends: Q3 2025 - World Gold Concil
Em 2025, as dinâmicas de compra por país foram notáveis: a Polônia liderou as compras globais com 82,7 toneladas; o Brasil elevou suas reservas de 129,6 para 172,4 toneladas (+33%) entre setembro e novembro; o Cazaquistão adicionou aproximadamente 41 toneladas após ter sido vendedor em 2024; a Turquia somou mais de 26 toneladas. A China mantém postura compradora, embora com desaceleração em 2025, consolidando sua estratégia de diversificação de reservas iniciada em 2022.

Gold Demand Trends: Q3 2025 - World Gold Concil
A lógica que move essas compras dos BCs é majoritariamente geopolítica: países que não possuem um alinhamento total com Washington questionam a segurança de manter trilhões em Treasuries. Se os EUA podem bloquear reservas de adversários, o que impede que façam o mesmo com outros no futuro?
Quebra da correlação histórica
Historicamente, ouro e juros americanos mantinham forte correlação inversa. Quando o Fed subia juros, o custo de oportunidade de manter um ativo que não paga rendimento aumentava, deprimindo preços. Mas entre 2022 e 2024, essa relação se desfez completamente.
A demanda colossal e incessante dos bancos centrais tornou-se o fator dominante, sobrepondo-se à sensibilidade tradicional dos investidores a mudanças nas taxas de juros. Mesmo durante 2023 e 2024, quando o Fed mantinha juros altos, o ouro manteve trajetória ascendente. O que havia sido um instrumento tático foi substituído por uma necessidade estratégica de soberania monetária.
Em 2025, o Fed iniciou seu ciclo de cortes, com três reduções de 25 pontos-base ao longo do ano (em setembro, outubro e dezembro), levando a taxa para a faixa de 3,50% a 3,75%. Essa mudança reacendeu a demanda de investimento via ETFs, adicionando novo combustível ao rali. Mas o pilar principal permanece: bancos centrais que continuam comprando.
A lógica além do ouro
A disparada do ouro acima de US$ 4.600 materializa três dinâmicas simultâneas que redesenham o poder global:
Fragmentação monetária: Países reduzem dependência do dólar via acordos bilaterais, sistemas de pagamento alternativos (como os do BRICS) e aumento acelerado de reservas em ouro. O dólar não será substituído amanhã, mas sua hegemonia está sendo contestada em tempo real.
Erosão das moedas fiduciárias: Déficits fiscais insustentáveis nos EUA e em outras economias funcionam como motor persistente do rali de ouro, corroendo o poder de compra das moedas tradicionais.
Controle sobre recursos estratégicos: Minerais críticos, terras raras, lítio, cobalto e cobre definem a nova hierarquia entre nações. Quem os possui e controla sua cadeia de processamento detém um poder geopolítico relevante no século XXI. A transição energética global tornou esses materiais tão críticos quanto o petróleo foi no século XX.
O HSBC projeta ouro a US$ 5.000 por onça no primeiro semestre de 2026. Standard Chartered classificou o metal como um dos ativos de maior convicção para 2026, citando persistência da incerteza geopolítica e fragmentação econômica global.
HEADLINES
World Big News
Pressão de Trump sobre Powell gera reação global de apoio de banqueiros centrais. Presidente do Banco Central brasileiro, Gabriel Galípolo, assina manifesto global em defesa de Jerome Powell e da independência do Fed (Bloomberg Línea)
Promotores pedem pena de morte para o ex-presidente sul-coreano Yoon (BBC)
França inicia julgamento que define se líder da extrema-direita Marine Le Pen poderá concorrer à eleição em 2027 (g1)
Governo, Tesouro, BC e Brasília
Deputado Félix Mendonça (PDT) é alvo de operação que investiga suspeita de desvios de emendas (g1)
Ação do TCU embasa estratégia da defesa para proteger Vorcaro mesmo sem reverter liquidação (Estadão)
CVM passa a ter mais 2 superintendências, 4 gerências e 35 novos cargos em comissão (InfoMoney)
Lula confirma Wellington César Lima como ministro da Justiça (Metrópoles)
Economia Real, Agro e Commodities
Setor de serviços do Brasil recua 0,1% em novembro e frustra expectativas do mercado (InfoMoney)
Opportunity começa obra de triple-A no coração de Ipanema (Metro Quadrado)
Agro tenta reverter veto à blindagem de orçamento para subsidiar o seguro rural (Globo Rural)
Brasil já tem 13 pedidos de registro de canetas emagrecedoras na Anvisa (Valor)
Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia
José Olympio Pereira está deixando o J Safra depois de três anos como CEO do banco de atacado (Brazil Journal)
Richard Kovacs, da Ebrasil, assume presidência da Brava. Executivo deixa cadeira de chairman para substituir Décio Oddone; Jive assume conselho (Pipeline Valor)
Hapvida troca VP comercial para reduzir churn; papel cai 8% (Brazil Journal)
Após encerrar 2025 com volumes recordes, a Rumo começa 2026 com a confiança renovada do mercado (Exame)
Fictor nega insolvência e diz que vai pagar investidores em fevereiro (Metrópoles)
Fanatics e a OBB Media estão lançando um estúdio de mídia e entretenimento chamado Fanatics Studios (CNBC)
Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC
Harmattan AI captou US$ 200 milhões e atingiu uma avaliação de US$ 1,4 bilhão com aporte da Dassault (Resilience Media)
O reator "sol artificial" da China supera um importante limite da fusão nuclear — um passo mais perto da energia limpa praticamente ilimitada (Live Science)
Apple lança o pacote de aplicativos “Creator Studio” por US$ 12,99 por mês (TechCrunch)
IPO, M&A, Deals e Private Equity
Responsável pela gestão do maior terminal portuário da América Latina e uma das poucas estatais superavitárias no País, a Autoridade Portuária de Santos (APS) iniciou o planejamento para abertura de capital (Neofeed)
Casa dos Ventos faz acordo de mais de US$ 500 milhões para fornecer energia para data centers da Ascenty (Forbes)
O grupo paulista MoveEdu anunciou a aquisição de 100% do Yázigi, uma das redes mais tradicionais de ensino de idiomas do país, junto à britânica Pearson (InvestNews)
Fusão de reality shows pode unir dona de Big Brother e MasterChef com produtora do The Traitors (Neofeed)
CENTRAL DE RESULTADOS (4T25)
Hoje: Wells Fargo, Citigroup, Bank of America
QUICK TAKES
📎 Read: A cooperação da Nicarágua no combate às drogas pode estar salvando o regime da ira de Trump (POLITICO)
▶️ Watch: Ainda existem boas histórias no mercado financeiro? (Stock Pickers)
#️⃣ Stat: Mais de 100 novos unicórnios tecnológicos surgiram em 2025 (TechCrunch)
🧊 Ice Breaker: Cavalos, joias, relógios de luxo e mansões: qual o tamanho da fortuna de Nicolás Maduro? (Estadão)
MEMES SESSION
O calendário do brasileiro, fora os feriados ao longo do ano

AGENDA
Segunda 12/01: —
Terça 13/01: Crescimento do Setor de Serviços (BRA); IPC (EUA); Venda de Casas Novas (EUA)
Quarta 14/01: IPP (EUA); Vendas no Varejo (EUA); Venda de Casas Usadas (EUA)
Quinta 15/01: Vendas no Varejo (BRA); PMI Industrial (EUA); PIB (GBP)
Sexta 16/01: IBC-Br (BRA)
Gostou da leitura? Envie pelo WhatsApp para seus amigos do mercado financeiro clicando aqui. Eles também vão gostar.
Dê a sua nota para a edição de 1 a 5 |
Faça Login ou Inscrever-se para participar de pesquisas. |
THE PAPER // THAT'S ALL, FOLKS
BECAUSE MONEY MATTERS. Leitura diária obrigatória para gestores, traders, bankers e CEOs. Todas as manhãs de pregão, na sua caixa de entrada.
