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💸 Como resolver o salário mínimo?

O salário mínimo, que completa 90 anos em 2026, é um símbolo de proteção social e, ao mesmo tempo, um espelho das contradições da economia brasileira

Good morning, Brasil.

A liquidez nos mercados deve ser reduzida hoje devido ao feriado de Martin Luther King Jr. nos EUA. Enquanto isso, as atenções globais se voltam para a Suíça com o início do Fórum de Davos, reunindo as principais lideranças políticas e econômicas do mundo.

Por aqui, o caso Master tem um desdobramento prático para o credor. Após semanas de incerteza, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deu início ao processo de ressarcimento dos investidores afetados pelos CDBs.

O Paper of the Day analisa os dados por trás da retórica. Partindo de uma declaração do presidente Lula na última sexta-feira, traçamos um comparativo: como o salário mínimo brasileiro evoluiu e onde ele se posiciona hoje em relação aos pares na América do Sul?

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ANTES DO SINO

Fechamento 16/01/2026 — (19:00)

PAPER OF THE DAY

O salário mínimo no Brasil

O salário mínimo, que completa 90 anos em 2026, é um símbolo de proteção social e, ao mesmo tempo, um espelho das contradições da economia brasileira

  • O discurso não mira apenas o valor de R$ 1.621 em 2026, mas a estrutura inteira de um piso que, 90 anos depois, continua distante da promessa legal e constitucional.

O desenho recente do salário mínimo ajuda a entender o problema. A política atual corrige o valor pela inflação medida pelo INPC e adiciona um ganho real atrelado ao PIB de dois anos antes, limitado pelo arcabouço fiscal. Isso garante aumentos nominais sucessivos: o mínimo subiu de R$ 1.518 em 2025 para R$ 1.621 em 2026, mas não resolve o descompasso com o custo de vida, nem reduz a distância em relação ao “salário mínimo necessário” calculado pelo Dieese, na casa de R$ 7 mil.

Na prática, o trabalhador vê o número no contracheque subir, mas continua destinando perto de metade da renda à cesta básica e convivendo com aluguel, transporte e serviços comprimidos na margem.

Em dólares

Se em reais o mínimo quase triplicou nos últimos 15 anos, em moeda americana o auge ficou no passado, na casa dos US$ 330 em 2011, antes de amargar o piso de US$ 200 em 2021.

Entre crises domésticas e o cenário externo adverso, a moeda brasileira perdeu tanta força que os aumentos do salário passaram a correr atrás da desvalorização cambial, em vez de construir novo poder de compra.

Mesmo retornando à faixa de US$ 295, essa retomada é tímida: o montante em dólar segue longe do histórico, a despeito do recorde nominal em reais.

Gráfico feito com ajuda de Inteligência Artificial

América do Sul

A comparação regional torna esse descompasso ainda mais visível. Em 2026, o salário mínimo brasileiro convertido em dólares coloca o país na oitava posição da América do Sul, atrás de Uruguai, Chile, Equador, Colômbia, Paraguai, Bolívia e Peru, todos com pisos mais altos em dólar, e à frente apenas de economias em crises profundas, como Argentina e Venezuela.

É uma posição desconfortável para um país que figura entre as maiores economias do mundo e que, no discurso, se apresenta como referência de proteção social no continente. O que as tabelas mostram é que, em termos de piso salarial, o Brasil está mais para classe média baixa regional do que para liderança.

Dados: Bloomberg Línea

No fundo, a fala de Lula nos 90 anos do salário mínimo funciona como gatilho para um debate que vai além do próximo reajuste. A distância entre o valor legal e o valor necessário, a perda de fôlego em dólares e o atraso em relação aos vizinhos apontam para um nó que não se desata apenas com aumento nominal anual.

  • O problema também ganha um contorno ainda mais agudo quando se observa quem de fato depende do mínimo. Categorias organizadas, com sindicatos fortes, conseguem negociar pisos salariais acima do mínimo (metalúrgicos, bancários e metroviários), por exemplo, arrancam 2 a 3 salários mínimos em negociações coletivas. Mas para mais de 60 milhões de brasileiros informais, aposentados e beneficiários do BPC, o mínimo é tudo que existe, e não há margem para negociar. A defasagem do salário mínimo, portanto, recai de forma desproporcional sobre os mais vulneráveis.

Resta ao país resolver o complexo equilíbrio entre rigor fiscal, inflação e a valorização real do salário. Afinal, os indicadores não mentem: seja pelo custo de vida, pela comparação regional ou pela cotação em dólar, a distância entre o valor pago hoje e o ideal estipulado em 1936 continua imensa.

HEADLINES

World Big News

  • UE e Mercosul assinam acordo comercial após 25 anos de negociações (Reuters)

  • Países europeus fazem reunião de emergência após Trump ameaçar com tarifas por oposição à anexação da Groenlândia (BBC)

  • Eleições em Portugal: Seguro e Ventura disputarão segundo turno. Essa é a primeira vez em 40 anos que pleito presidencial não é resolvido em um turno (CNN Brasil)

  • Pelo menos 5.000 pessoas foram mortas em protestos no Irã, incluindo cerca de 500 membros das forças de segurança (Reuters)

  • Taiwan investirá US$ 250 bilhões na fabricação de chips nos EUA sob novo acordo comercial (CNBC)

  • Milícias armadas ampliam clima de terror na Venezuela. Grupos em motocicletas ocupam ruas, intimidam moradores e bloqueiam protestos na capital venezuelana (Revista Oeste)

Governo, Tesouro, BC e Brasília

  • Lula faz reunião para azeitar combate ao crime organizado, mas não chamou o Toffoli. O encontro juntou a cúpula do governo, PF, Banco Central, PGR e Alexandre de Moraes (Folha)

  • STF determina quebra de sigilo de suspeitos de fraudes no Banco Master (Agência Brasil)

  • Crise do Master faz crescer preocupação com pressão por nomes para diretoria do BC (Valor)

  • Correios buscam mais R$ 8 bilhões para evitar nova crise (Times Brasil)

Economia Real, Agro e Commodities

  • Com expectativa de movimentar mais de R$ 5,7 bilhões na economia local, o Carnaval de rua da cidade do Rio neste ano atraiu cerca de R$ 40 milhões em patrocínio privado (Valor)

  • Acordo Mercosul–UE pode gerar economia tarifária de até US$ 250 milhões para suco de laranja (Globo Rural)

  • Agro puxa crescimento de 2,4% da atividade econômica do Brasil em 2025 (IstoÉ | Dinheiro Rural)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia

  • BRB bate à porta das gestoras de crédito. Banco quer levantar R$ 700 milhões com DPGE 2, instrumento para instituições com dificuldade de captação (Pipeline Valor)

  • Ex-CEO da Virgo e ex-Itaú criam startup que quer ser a “Bloomberg do crédito privado” (InfoMoney)

  • CVC acaba de anunciar que Fábio Mader, seu atual VP de produtos e revenue manager, será o novo CEO da companhia, substituindo Fábio Godinho, que estava há quase três anos no cargo (Brazil Journal)

  • Cinco anos após o IPO da Cury, construtora voltada à baixa renda, a Cyrela vem reduzindo sua participação na companhia (NeoFeed)

  • Amazon ameaça tomar medidas “drásticas” após a falência da Saks, afirmando que sua participação de US$ 475 milhões agora não vale nada (CNBC)

  • O CEO da Tag Heuer, Antoine Pin, deixa a empresa de relojoaria (Yahoo Finance)

Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC

  • Mercado Bitcoin compra corretora do Banco Mercantil (InfoMoney)

  • Musk quer até US$ 134 bilhões em processo contra a OpenAI, apesar de sua fortuna de US$ 700 bilhões (TechCrunch)

  • 6 sinais de que a corrida da IA ​​acaba de entrar em uma nova fase (Axios)

  • Por que o Vale do Silício está realmente falando em fugir da Califórnia (e não são os 5%) (TechCrunch)

IPO, M&A, Deals e Private Equity

  • A Brava Energia acaba de fechar a aquisição da participação de 50% da Petronas no campo de Tartaruga Verde e no módulo III de Espadarte, na Bacia de Campos, por US$ 450 milhões (Brazil Journal)

  • Mission Produce compra a concorrente de abacate Calavo em um negócio avaliado em US$ 430 milhões (Food Dive)

  • MrBeast, o maior YouTuber do mundo, acaba de atrair para a sua plataforma de negócios um investimento de US$ 200 milhões da BitMine Immersion Technologies, a maior detentora mundial da criptom (Brazil Journal)

CENTRAL DE RESULTADOS (4T25)

  • State Street: As ações da empresa caem devido a despesas com reposicionamento de marca, ofuscando os resultados do quarto trimestre (Investing)

  • PNC Financial: Lucro supera as estimativas com a retomada das fusões e aquisições (Reuters)

Hoje:

QUICK TAKES

📎 Read: Steinbruch rompe com o risco e prega austeridade: agora a CSN vence a dívida? (InvestNews)

▶️ Watch: Os bastidores da holding dos Moreira Salles (Bastidores do Poder)

#️⃣ Stat: Produção de veículos cresce 3,5% em 2025 (Agência Brasil)

🧊 Ice Breaker: Onde tudo começou: os primeiros escritórios de grandes empresas (Metro Quadrado)

GRÁFICO DO DIA

Distribuição da riqueza no mundo: 1,6% da população mundial possui um patrimônio acima de US$ 1 milhão e controlam 48,1% da riqueza.

Relatório: Global Wealth Report 2025 (UBS)

Gráfico: UBS

MEMES SESSION

AGENDA

Segunda 19/01: Dia de Martin Luther King, Jr. (Feriado EUA)

Terça 20/01:

Quarta 21/01: IPC Reino Unido

Quinta 22/01: PIB dos EUA; Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA); Núcleo do Índice de Preços PCE (EUA)

Sexta 23/01: Investimento Estrangeiro Direto (BRA); IPCA-15 (BRA); PMI do Setor de Serviços (EUA); PMI Industrial (EUA)

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