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💸 O setor em que a conta não fecha
O caso da Azul não é um acidente corporativo isolado. É o sintoma mais recente de uma doença estrutural que transformou o Brasil em um cemitério de companhias aéreas.

Good morning, Brasil.
Com poucos dias em 2026, já caminhamos para um novo desenho geopolítico. Após a Venezuela, Trump começa a pressionar Cuba e dá indícios de que também pode interferir ainda mais no Oriente Médio.
Nos mercados, o ano começa aquecido, com muitas negociações em andamento e a promessa de alguns dos maiores IPOs da história. O otimismo é sustentado pela reabertura da janela americana, impulsionada pelo apetite de Wall Street e pelo ciclo de queda de juros.
O Paper of the Day traz um panorama sobre um setor fundamental para a economia brasileira, mas que é um dos que mais enfrenta dificuldades para operar. Fizemos um overview do setor aéreo após a recente queda das ações da Azul.
Aqui está o seu THE PAPER de hoje.
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ANTES DO SINO

Fechamento 09/01/2026 — (19:00)
PAPER OF THE DAY
O setor em que a conta não fecha
Na primeira semana de janeiro de 2026, investidores da Azul viveram uma montanha-russa brutal. As ações despencaram mais de 90% em cinco pregões consecutivos após a conclusão de uma oferta de R$ 7,4 bilhões que diluiu acionistas com a emissão de 1,4 trilhão de novos papéis. Na quinta-feira, os papéis fecharam a R$ 25. Na sexta-feira, dispararam mais de 200%.
A volatilidade extrema expõe uma contradição: a Azul continua voando com ocupação de 84,6%, Ebitda recorde de R$ 1,987 bi no 3T25 e crescimento de 9,7% na demanda. Mas desde maio de 2025, opera sob proteção judicial do Chapter 11 nos Estados Unidos, tentando reestruturar uma dívida que saltou de R$ 23 bilhões para R$ 35 bilhões em apenas dois anos.
O caso da Azul não é um acidente corporativo isolado. É o sintoma mais recente de uma doença estrutural que transformou o Brasil em um cemitério de companhias aéreas.

A320 Azul - Foto: Luis A. Neves
Anatomia de um colapso anunciado
Antes da pandemia, a Azul era considerada uma das empresas mais promissoras do setor, com alavancagem saudável de 2,9 vezes dívida sobre Ebitda. A crise sanitária de 2020 mudou tudo. Com o aterramento das aeronaves, a receita desapareceu enquanto os custos fixos permaneceram, gerando queima de caixa de R$ 3 a 4 milhões por dia de acordo com um relatório do BTG. A alavancagem explodiu para 19,8 vezes no fim de 2020.
Para sobreviver, a Azul adiou pagamentos de arrendamento de aviões e dívidas bancárias entre 2020 e 2021, mantendo caixa momentâneo de R$ 5,4 bilhões mas criando uma obrigação futura massiva. O plano era crescer agressivamente a partir de 2023 para pagar essa conta, mas fatores externos inviabilizaram essa estratégia.
Em 2022, a guerra na Ucrânia disparou os preços do combustível e o câmbio corroeu os lucros, resultando em prejuízos contábeis bilionários mesmo com receitas recordes.
Entre 2023 e 2024, a Azul reestruturou dívidas para empurrar vencimentos para 2029-2030. Mas embora o principal tenha sido adiado, o serviço da dívida (juros e aluguéis) começou a drenar todo o caixa operacional. Em outubro de 2024, a situação de liquidez estava preocupante, forçando novos créditos sob condições severas, incluindo a conversão de dívida em ações.
Em maio de 2025, sem conseguir honrar compromissos com a geração de caixa, a Azul recorreu ao Chapter 11 para eliminar mais de US$ 2 bilhões em débitos. A oferta de janeiro de 2026 converteu dívidas em ações, diluindo os acionistas em 90%.
Os “cinco” problemas estruturais do setor aéreo brasileiro
A trajetória da Azul não é única. Revela cinco obstáculos estruturais que impedem qualquer companhia aérea de prosperar sustentavelmente no Brasil.
1. Dolarização extrema de custos: Cerca de 60% dos custos das aéreas brasileiras são denominados em dólar: combustível, leasing de aeronaves, manutenção e seguros. As receitas, porém, são predominantemente em reais. Quando o dólar salta de R$ 5 para acima de R$ 6, como ocorreu recentemente, a estrutura financeira fica comprometida.
2. Margens apertadas: A margem líquida esperada para o setor aéreo global em 2026 é de apenas 3,9%. No Brasil, historicamente, é ainda menor. Uma taxa de ocupação de 84% parece bom, mas se as passagens são vendidas com desconto, vender um avião lotado pode gerar prejuízo.
3. Judicialização industrial: O Brasil transformou processos contra companhias aéreas em uma indústria própria. A probabilidade de uma aérea ser processada no Brasil é mais de 5.000 vezes maior que nos Estados Unidos. As indenizações consomem quase 2% do preço final das passagens.
4. Infraestrutura e regulação disfuncionais: Slots nos principais aeroportos (Congonhas, Santos Dumont, Brasília) são concentrados nas três grandes. Quando uma empresa entra em crise, a ANAC pode redistribuir seus slots para concorrentes, tornando as recuperações juridicamente viáveis mas financeiramente complexas.
5. “Oligopólio” sem lucratividade equivalente: LATAM, GOL e Azul controlam 99,9% do mercado doméstico. Nos últimos meses, a LATAM liderou com 41%, GOL com 30% e Azul com 28%. Mas concentração não significa rentabilidade sustentável: todas as três entraram em recuperação judicial ou Chapter 11 nos últimos anos.
Décadas de extinções
Em pouco mais de 20 anos, grandes companhias aéreas foram extintas no Brasil. E das dezenas que já cruzaram os céus do país, apenas três realmente “sobrevivem”. Alguns exemplos notáveis:
Panair do Brasil (1929-1965): símbolo de excelência internacional com o lendário "Padrão Panair", foi abruptamente suspensa pelo regime militar em fevereiro de 1965 sob alegação de endividamento.
Varig (1927-2010): a gigante que dominou os céus brasileiros por décadas, sucumbiu aos planos econômicos dos anos 1980 e 1990 e uma má gestão. Entrou em recuperação judicial em 2005 com dívidas de mais de R$ 5 bilhões, deixou de voar para Tóquio, Paris e Nova York, e foi vendida à GOL em 2007. Somente agora começou a pagar as dívidas trabalhistas aos antigos funcionários.
Transbrasil (1955-2002): parou de voar em dezembro de 2001 por falta de crédito para comprar combustível após anos de estrangulamento financeiro causado pelo congelamento de tarifas.
Vasp (1933-2008): entrou em recuperação judicial em 2005 e teve falência decretada em 2008, com dívidas de R$ 5 bilhões.
Avianca Brasil: que em 2018 transportava 11 milhões de passageiros com 40 aeronaves e 241 voos diários, entrou em recuperação judicial em dezembro do mesmo ano e teve falência decretada em julho de 2020, com dívidas de R$ 2,7 bilhões.
E a história se repete: quando a próxima crise chegar, alguma empresa infelizmente vai “pagar” por isso.
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HEADLINES
World Big News
A maioria dos países da União Europeia aprovou, nesta sexta-feira (9), o acordo de livre-comércio com o Mercosul, tratado negociado há mais de 25 anos (Times Brasil)
Rússia diz que realizou ataque à Ucrânia com mísseis hipersônicos com capacidade nuclear (g1)
Trump ordenou que a Fannie Mae e Freddie Mac que comprassem US$ 200 bilhões em títulos hipotecários, numa tentativa de reduzir as taxas de juros e os pagamentos mensais (CNN)
O crescimento do emprego nos EUA desacelerou mais do que o esperado em dezembro, em meio a perdas de vagas nos setores de construção, varejo e manufatura (Reuters)
O novo governo da Venezuela retomou as relações diplomáticas com os Estados Unidos e anunciou uma visita de diplomatas norte-americanos ao país (Metrópoles)
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O Congresso Nacional aprovou uma lei que libera estados e municípios a pagarem benefícios retroativos a servidores em pleno ano eleitoral (Folha)
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Os bastidores de como o Rioprevidência investiu R$ 970 milhões em títulos do Banco Master (Neofeed)
Empresas ligadas a parentes de Toffoli teriam fundo associado a caso Master (InfoMoney)
Economia Real e Commodities
As exportações do agronegócio brasileiro fecharam 2025 com valor recorde, alcançando US$ 169,2 bilhões, alta de 3% em relação ao ano anterior (Globo Rural)
Roubo e furto de carros elétricos dobram em São Paulo em um ano (Folha)
Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia
O GPA informou que Rafael Russowsky renunciou aos cargos de vice-presidente executivo financeiro e diretor de relações com investidores (InvestNews)
Um dos fundos investigados no caso Master apresentou uma rentabilidade de 10.502.205% em 2025 (O Globo)
FGC deve começar a pagar investidores com CDBs do Master nos próximos dias (Valor Investe)
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Andreessen Horowitz acaba de anunciar que captou pouco mais de US$ 15 bilhões em novos investimentos. O montante representa mais de 18% de todo o capital de risco alocado nos Estados Unidos em 2025 (TechCrunch)
A empresa de mídia Semafor levanta US$ 30 milhões com avaliação de US$ 330 milhões após primeiro ano lucrativo (Yahoo Finance)
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O aplicativo de monitoramento de atividades físicas Strava entra com pedido confidencial de IPO (Reuters)
O grupo Rio Tinto está em negociações para comprar a Glencore e criar a maior mineradora do mundo, com valor de mercado combinado superior a US$ 200 bilhões (InvestNews)
A Merck, abre uma está em negociações para adquirir a Revolution Medicines, desenvolvedora de medicamentos contra o câncer. Em um negócio avaliado entre US$ 28 bilhões e US$ 32 bilhões (Reuters)
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A Cimed segue na estratégia de reforçar o portfólio de higiene e beleza. A companhia está negociando a compra da IceFresh, fabricante de produtos de higiene bucal (Valor Pipeline)
QUICK TAKES
📎 Read: O auge do mercado de tênis passou? Bank of America questiona ciclo de 20 anos de alta (Bloomberg Línea)
▶️ Watch: O regime iraniano vai cair? (Fernando Ulrich)
#️⃣ Stat: Inflação do Brasil avança 4,26% em 2025 e fica dentro do intervalo da meta (InfoMoney)
🧊 Ice Breaker: Edmond Safra: o documentário do enigma (Brazil Journal)
GRÁFICO DO DIA
US$50 bi o MENOR.

MEMES SESSION
Como começamos o ano:

AGENDA
Segunda 12/01: —
Terça 13/01: Crescimento do Setor de Serviços (BRA); IPC (EUA); Venda de Casas Novas (EUA)
Quarta 14/01: IPP (EUA); Vendas no Varejo (EUA); Venda de Casas Usadas (EUA)
Quinta 15/01: Vendas no Varejo (BRA); PMI Industrial (EUA); PIB (GBP)
Sexta 16/01: IBC-Br (BRA)
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