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💸 Quem manda em Wall Street?
O JPMorgan Chase encerrou 2025 com lucro de US$ 57,0 bilhões e receita gerencial de US$ 185,6 bilhões.

Good morning, Brasil.
Ontem, a Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão contra envolvidos no caso Master, determinando o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens. Também foi revelado que Joesley Batista voltou à Venezuela para reuniões com Delcy Rodríguez — desta vez, voando direto de Washington.
Com a temporada de balanços do 4T25 aberta, o Paper of the Day traz uma visão sobre o JPMorgan, a instituição que "controla" Wall Street e que foi o primeiro dos grandes bancos a divulgar seus resultados.
Aqui está o seu THE PAPER de hoje.
ANTES DO SINO

Fechamento 14/01/2026 — (19:00)
PAPER OF THE DAY
The King of Wall Street
O JPMorgan Chase encerrou 2025 com lucro de US$ 57,0 bilhões e receita gerencial de US$ 185,6 bilhões. No quarto trimestre, o lucro reportado foi de US$ 13,0 bilhões, comprimido por uma provisão de US$ 2,2 bilhões relacionada ao compromisso de compra da carteira de crédito do Apple Card. Ajustando esse item extraordinário, o lucro trimestral teria atingido US$ 14,7 bilhões.
A retomada dos mercados de capitais em 2025 foi particularmente favorável. O mercado global de M&A atingiu entre US$ 4,3 e US$ 4,8 trilhões, uma alta de aproximadamente 35% a 40% em relação a 2024 e o segundo maior volume da história. O JPMorgan capturou 8,4% de participação na carteira de fees de investment banking globais em 2025. As receitas de investment banking somaram US$ 9,7 bilhões em 2025, ante US$ 9,1 bilhões em 2024. Já a área de Markets – que integra as mesas de trading de renda fixa e ações – gerou US$ 35,8 bilhões em receita no ano, uma alta de 19% ano contra ano.
Esses números refletem mais que resultados financeiros. Refletem como um único banco captura uma proporção desproporcional do fluxo de capital americano, canalizando a maior parte dos grandes negócios, operações de mercado e movimentações de riqueza através de suas plataformas.
A aura de Jamie Dimon
Jamie Dimon comanda o JPMorgan desde 2005, há mais tempo que qualquer outro CEO dos cinco maiores bancos americanos. Sua trajetória o levou do Citigroup ao Bank One, e de lá para o JPMorgan via aquisição em 2004. Aos 69 anos, com patrimônio pessoal estimado em cerca de US$ 2,9 bilhões (Forbes), Dimon construiu uma reputação de liderança que ultrapassa os limites do banco, influenciando inclusive na política americana.
O JPMorgan opera um balanço de aproximadamente US$ 4,4 trilhões em ativos ao final de 2025. Para efeito de comparação: o Bank of America, seu rival mais próximo, detém cerca de US$ 3,4 trilhões em ativos. A vantagem de escala é estrutural e praticamente intransponível.

Gráfico: Bloomberg (16/07/25)
O crescimento do banco não se resume ao orgânico. É o resultado de uma estratégia que transforma crises em oportunidades de consolidação:
2008 - Bear Stearns: Resgatado com apoio do Fed; o JP Morgan adquiriu um trading business de primeira linha
2008 - Washington Mutual: Adquirido após colapso, tornando o JP Morgan estruturalmente maior
2023 - First Republic Bank: Aquisição de US$ 173 bilhões em empréstimos e US$ 92 bilhões em depósitos, gerando ganho contábil significativo.
O padrão é claro: enquanto concorrentes enfrentam dificuldades, o JPMorgan sai maior. Reguladores criaram regras contra crescimento por aquisição acima de 10% dos depósitos nacionais americanos, exceto quando a instituição falha. Esse loop institucional transforma o JPMorgan no “rei” do sistema financeiro americano.
Os próximos passos: infraestrutura como declaração de poder
Em outubro de 2025, o JPMorgan inaugurou 270 Park Avenue em Manhattan – um arranha-céu de 60 andares, com cerca de 2,5 milhões de pés quadrados de escritório de alta eficiência, construído ao custo de US$ 4 bilhões e capacidade para 10.000 funcionários. Essa obra é um colosso no coração de Wall Street que simboliza a era de consolidação global e uma aposta de décadas na liderança no principal centro financeiro do planeta.
Inclusive a escolha de Dimon por volta ao trabalho presencial se consolida com esse projeto. Dimon fez duras críticas ao modelo de home office no início de 2025, com uma declaração considerada polêmica: "Não percam tempo com isso. Não me importa quantas pessoas assinem essa maldita petição".
Além disso, em novembro de 2025, o banco revelou planos para construir o maior edifício de escritórios de Londres – 3 milhões de pés quadrados em Canary Wharf, um projeto de cerca de £3 bilhões que pode abrigar até 12.000 funcionários e deve levar aproximadamente seis anos para ser concluído.

Foto: JPMorgan
A dominância do banco reflete três dinâmicas estruturais permanentes:
Concentração funcional: Enquanto competidores especializados em um segmento falham ou ficam para trás, o JPMorgan prospera pela integração de consumer banking, investment banking, asset management e trading. Em 2025, nenhuma dessas linhas ficou para trás – cada uma amplificou a outra.
Assimetria de capital: O JPMorgan investe cerca de US$ 105 bilhões em despesas ajustadas ao ano (projeção para 2026), com dezenas de bilhões alocados em tecnologia e áreas adjacentes – infraestrutura, dados, analytics e software. Bancos menores simplesmente não conseguem competir nesse ritmo de gasto. A vantagem é multiplicativa: quanto maior o banco, maior a receita; quanto maior a receita, mais pode investir em tecnologia; quanto mais investe, maior sua vantagem competitiva.
O ciclo das crises: Cada crise torna o banco maior. A próxima tende a ampliá-lo ainda mais. Reguladores criaram incentivos não intencionais que empurram depósitos e ativos para o “porto seguro” durante períodos de stress. O JPMorgan, como banco percebido como seguro, recebe esses fluxos e os congela através de aquisições facilitadas por reguladores.
O saldo é um sistema financeiro onde, a cada choque, o “rei” se fortalece e se torna cada vez mais solitário no topo.
HEADLINES
World Big News
Os EUA estão retirando parte de seu pessoal de bases no Oriente Médio, depois que um alto funcionário iraniano afirmou que Teerã havia alertado os países vizinhos de que atacaria bases americanas caso Washington as atacasse (Reuters)
Irã fecha espaço aéreo para todos os voos internacionais (g1)
Os EUA suspenderão o processamento de vistos de imigrante para 75 países (Reuters)
Agentes do FBI revistaram a casa de um repórter do Washington Post na quarta-feira como parte de uma investigação sobre um vazamento de informações confidenciais envolvendo um contratado do Pentágono (AP News)
Bukele chega à Costa Rica para patrocinar uma prisão de alta segurança inspirada em sua megaprisão para membros de gangues (EL PAÍS)
Governo, Tesouro, BC e Brasília
Lula reage ao Congresso, decide vetar R$ 400 milhões em emendas e remaneja R$ 7 bi do Orçamento (Folha)
Tesouro vê rombo nas contas até 2027, alta maior da dívida e cita 'medidas adicionais' para atingir metas (g1)
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PF cumpre novas buscas contra Daniel Vorcaro. Nesta etapa, os investigadores cumprem 42 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões (Metrópoles)
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Economia Real, Agro e Commodities
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Netflix avalia alterar proposta da Warner Bros. para que o pagamento seja integralmente em dinheiro (Yahoo Finance)
CENTRAL DE RESULTADOS (4T25)
Wells Fargo: Superou as expectativas de lucro, mas a receita ficou abaixo do esperado (Yahoo Finance)
Citigroup: Lucro supera as estimativas com a retomada das fusões e aquisições (Reuters)
Bank of America: Superou as estimativas com receita líquida de juros e negociações de ações (CNBC)
Hoje: TSMC, BlackRock, Goldman Sachs, Morgan Stanley
QUICK TAKES
📎 Read: Por que os países árabes estão calados sobre os protestos no Irã? (Estadão)
▶️ Watch: A história não contada da carreira de Jamie Dimon (Gary Guo)
#️⃣ Stat: China bate recorde comercial em 2025 mesmo com tarifaço: US$ 1,2 trilhão de superávit (InfoMoney)
🧊 Ice Breaker: Nike faz sua primeira aposta no pickleball (Pipeline Valor)
GRÁFICO DO DIA

MEMES SESSION

AGENDA
Segunda 12/01: —
Terça 13/01: Crescimento do Setor de Serviços (BRA); IPC (EUA); Venda de Casas Novas (EUA)
Quarta 14/01: IPP (EUA); Vendas no Varejo (EUA); Venda de Casas Usadas (EUA)
Quinta 15/01: Vendas no Varejo (BRA); PMI Industrial (EUA); PIB (GBP)
Sexta 16/01: IBC-Br (BRA)
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