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💸Os insiders geopolíticos que faturaram milhões
A eficiência dos mercados de previsão foi colocada à prova e sob suspeita nesta semana.

Good morning, Brasil.
Em Brasília, Banco Central e TCU seguem discutindo a legalidade da liquidação do Banco Master. Enquanto o debate regulatório continua, o investidor completa 50 dias sem informações sobre quando — ou se — receberá seus recursos.
Lá fora, Donald Trump admitiu a líderes republicanos sua preocupação com as eleições de meio de mandato. O presidente avalia que, caso o partido não mantenha a maioria no Congresso, o risco de enfrentar um processo de impeachment se torna concreto.
O Paper of the Day traz luz a um tema que ganhará tração nos próximos anos: a atuação de insiders nos mercados de previsões. A questão central é até quando será possível lucrar milhões operando fora de um mercado totalmente regulado.
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ANTES DO SINO

Fechamento 06/01/2026 — (19:00)
PAPER OF THE DAY
Os insiders geopolíticos que faturaram milhões
A eficiência dos mercados de previsão foi colocada à prova e sob suspeita nesta semana. Menos de cinco horas antes de explosões serem reportadas em Caracas e de o Presidente Trump ordenar uma ação militar, um trader desconhecido dobrou sua aposta na queda de Nicolás Maduro.
O movimento levanta sérias questões sobre o vazamento de informações de Estado para lucro pessoal em plataformas descentralizadas.
Já explicamos sobre o mercado de previsões nesta edição do dia 04/12/25
O que aconteceu:
Um usuário anônimo criou uma conta em dezembro de 2025 e fez uma aposta inicial de US$96 em contratos que os EUA invadiriam a Venezuela até 31 de janeiro, ataque que até então era “improvável”. A conta foi aumentando a exposição a esse evento ao longo dos dias.
A última compra ocorreu às 21:28 da sexta-feira, 02/01/26, momentos antes de Trump ordenar os ataques.
Naquele horário, o mercado precificava apenas 8% de chance de queda (contratos a 8 centavos). Sem nenhuma notícia pública, o trader comprou agressivamente, alocando mais da metade de todo o seu capital na véspera do ataque, apostando um total de US$34.000.
Com a confirmação da operação, o trader lucrou mais de US$ 410.000, um retorno de 12x sobre o investimento inicial.

Gráfico: WSJ
Mas não é o único caso
O “caso Maduro” não é isolado. A Polymarket tem se tornado um campo minado onde "insiders" corporativos e geopolíticos monetizam informações antes que elas se tornem públicas.
O "Google Insider": Em dezembro, uma conta identificada como "0xafEe" lucrou US$ 1,2 milhão apostando corretamente nas "pessoas mais pesquisadas do ano" e na data de lançamento do modelo Gemini 3. O padrão de acerto sugere acesso privilegiado a dados internos da Big Tech.
A aposta de Taiwan: Nesta semana, uma nova conta criada em janeiro de 2026, abriu uma posição de mais de US$35.000 apostando que a China invadirá Taiwan ainda este ano. Caso acerte, pode transformar esse valor em mais de US$300.000.
Regulação à vista ou "Velho Oeste"?
A capacidade da Polymarket de antecipar notícias globais atraiu a atenção de reguladores. A linha entre "sabedoria das multidões" e "crime financeiro" está tênue.
A partir destes casos, alguns desdobramentos são esperados:
1. A resposta legislativa: O deputado americano Ritchie Torres (D., N.Y.) anunciou planos para apresentar um projeto de lei nesta semana. O objetivo é proibir explicitamente que funcionários federais e nomeados políticos americanos apostem em mercados de previsão.
2. O dilema da jurisdição: Embora o insider trading seja ilegal nos EUA, a aplicação na Polymarket é complexa. Se o trader for um estrangeiro operando fora dos EUA (usando VPN, prática comum para burlar o bloqueio da plataforma), as autoridades americanas podem não ter jurisdição para processá-lo, mesmo que ele lucre com segredos de estado.
3. Transparência como defesa: Shayne Coplan, CEO da Polymarket, defende que a plataforma se "autorregula". Como todas as transações são registradas no blockchain, suspeitas de insider trading são detectadas em tempo real pela comunidade e expostas (como no X), diferentemente da opacidade do mercado de ações tradicional.
P.S. Inclusive já está acontecendo lá fora uma discussão sobre o que seria considerado ou não um evento, já que há relatos que a Polymarket não está pagando algumas apostas, incluindo a “invasão” na Venezuela (Veja mais)
LOOKING FORWARD
Se até o mercado financeiro tradicional sofre com assimetria de informação, imagine os demais. Como o mercado de previsões é recente, diversas brechas jurídicas e tecnológicas vêm sendo exploradas. E, com a Copa do Mundo e as eleições brasileiras no horizonte de 2026, certamente veremos mais histórias desse tipo.
E aqui vale a reflexão: se o país ainda luta para efetivar a regulação e organização das “Bets”, a massificação dos mercados de previsão representará, inevitavelmente, um novo e complexo desafio para as autoridades e para a sociedade.
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HEADLINES
World Big News:
EUA fecham acordo e isentam empresas da regra tributária Pilar 2 da OCDE. Empresas multinacionais sediadas em solo americano continuarão "sujeitas apenas aos impostos mínimos globais dos EUA (CNN Brasil)
Trump aos republicanos da Câmara: Se não vencermos as eleições de meio de mandato, sofrerei impeachment (Reuters)
O New York Times e o Washington Post sabiam dos ataques planejados pelos Estados Unidos contra a Venezuela, mas decidiram não publicar a reportagem para evitar o que — segundo o governo dos EUA — seria um risco à vida de americanos (Valor)
Arábia Saudita planeja abrir seus mercados financeiros a todos os investidores estrangeiros a partir de 1º de fevereiro (Reuters)
Governo, Tesouro, BC e Brasília:
Fiscais do Banco Central encontraram uma conexão entre o dinheiro supostamente desviado por meio de fundos de investimentos mantidos na gestora Reag e as operações supostamente fraudulentas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (Valor)
BC recorre de inspeção do TCU no Master e diz que decisão deveria ser tomada pelo colegiado (O Globo)
Passados 50 dias desde a liquidação do Banco Master, correntistas e investidores que aplicaram em CDBs e outros títulos de renda fixa da instituição ainda aguardam o início do pagamento do dinheiro pelo FGC (Folha)
Influenciadores receberam proposta para postar vídeos contra liquidação feita pelo BC (O Globo)
Economia Real e Commodities:
Faria Lima terá desapropriações para nova Linha 20-Rosa (Estadão)
GloboNews lidera a audiência na TV paga com os acontecimentos na Venezuela (Folha)
Amazon encosta no Meli no fim do ano e Shopee cresce quase 30%; Magalu recua, diz BTG (Valor)
Petrobras paralisa perfuração da Foz do Amazonas após vazamento de fluido (g1)
Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia:
Segundo um documento regulatório recente, Jamie Dimon do JPMorgan faturou aproximadamente US$ 770 milhões no ano passado, o ano mais lucrativo de sua carreira e um dos maiores pagamentos anuais já vistos em Wall Street (New York Post)
Os sete maiores private bankings do Brasil contam como recomendam a alocação em 2026 (Neofeed)
Exxon, Chevron e ConocoPhillips ganham US$ 31 bilhões em valor de mercado após operação dos EUA na Venezuela (E-Investidor)
Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC:
A gigante da inteligência artificial Nvidia anunciou o lançamento de seu superchip Vera Rubin de última geração na CES 2026 (Yahoo Finance)
A Lego anunciou seu novo sistema “Smart Play” , adicionando peças de Lego interativas e responsivas à famosa franquia analógica (TechCrunch)
Grupo Hyundai Motor planeja implantar robôs humanoides em sua fábrica nos EUA a partir de 2028 (Reuters)
Meta adia o lançamento global dos óculos Ray-Ban Display devido a limites de estoque e à demanda dos EUA (CNBC)
IPO, M&A, Deals e Private Equity:
Um ano após desistir de sua aposta na Vale, a Cosan segue desmontando a complexa estrutura financeira montada em outubro de 2022 para viabilizar a operação (InvestNews)
A Randoncorp assinou um acordo estimado em R$ 770 milhões com o grupo chileno Arauco para fornecer os vagões ferroviários que transportarão a produção da primeira fábrica da companhia no Brasil (Brazil Journal)
Chinês Claifund vira sócio da Pátria na termelétrica Marlim Azul (Pipeline Valor)
Multiplan faz acordo para vender 10% do BH Shopping (InfoMoney)
QUICK TAKES
📎 Read: Os grandes riscos de 2026, segundo a Eurasia (Brazil Journal)
▶️ Watch: Versant estreia na Nasdaq e muda o jogo da TV a cabo (Times Brasil)
#️⃣ Stat: Balança comercial tem superávit de US$ 68,3 bilhões em 2025, diz governo. Resultado mostra queda de 7,9% ao registrado no ano anterior (CNN Brasil)
🧊 Ice Breaker: Quem é o único bilionário da Venezuela que fez fortuna fora do petróleo (InfoMoney)
GRÁFICO DO DIA
Com as ações atingindo novas máximas no S&P 500, o prêmio de risco das ações praticamente desapareceu, sugerindo que as ações de grande e pequena capitalização não são mais atraentes do que títulos do Tesouro ou títulos corporativos (Yahoo Finance)

MEMES SESSION


AGENDA
Segunda 05/01: Balança Comercial (BRA); PMI Industrial (EUA)
Terça 06/01: PMI Serviços (EUA)
Quarta 07/01: PMI Não-manufatura (EUA); Oferta de Empregos (EUA)
Quinta 08/01: Produção Industrial (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)
Sexta 09/01: IPCA (BRA); Taxa de Desemprego (EUA)
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